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Ascension, review da mini-série do canal Syfy

Firefly, Battlestar Galactica, Farscape e Stargate Universe, depois que estas séries nos deixaram não tivemos nenhuma “space opera” na TV para preencher o vazio deixado por estas ótimas aventuras no espaço.

Mas o Syfy parece determinado em cumprir sua promessa de voltar as origens e depois de ter assistido os três episódios de Ascension posso dizer que eles foram bem sucedidos, não foi 100% de acerto, mas eu diria que é mais do que suficiente para justificar uma série.

No passado o canal utilizou o mesmo método com Battlestar Galactica, primeiro lançando uma mini-série e depois de acordo com a reação positiva do público foram produzidas quatro temporadas que de Battlestar Galactica, que deu novo impulso ao genêro com seu universo realista e detalhado.

Ascension é também importante porque serve para mostrar a audiência o nível de comprometimento do SyFy que planeja produzir os clássicos The Expanse e Childhood´s End.

Antes de continuarmos, segue os trailers da série para você se situar melhor:

Explicando Ascension

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Interior da nave Ascension

Para quem ainda não conhece, a série é inspirada no Projeto Orion, um projeto real do governo norte-americano durante a administração do presidente John F. Kennedy. Em Ascension temos uma versão alternativa da realidade onde em 1963, o presidente e seu governo, temendo que a Guerra Fria levaria a destruição da Terra, decidiu lançar uma missão espacial secreta.

Eles enviaram 600 homens, mulheres e crianças ao espaço em uma viagem de um século abordo da nave Ascension, uma enorme e auto-suficiente nave geracional .

Uma nave geracional é uma nave que atravessa grandes distâncias no espaço mas em velocidades muito inferiores à velocidade da luz .Como uma nave deste tipo pode levar de séculos a dezenas de milhares de anos para alcançar mesmo as estrelas mais próximas, seus ocupantes originais, dependendo da duração da vida dos tripulantes e de efeitos relativísticos, poderão morrer durante a viagem, deixando que seus descendentes a concluam.

A missão deles é povoar um novo mundo, conhecido como Proxima, garantindo a sobrevivência da raça humana. Depois de quase 50 anos de viagem ( no nosso atual presente) a medida que eles se aproximam do ponto de não retorno, o misterioso assassinato de uma jovem – o primeiro homicídio desde que a nave partiu – faz com que a tripulação da nave questione a verdadeira natureza da sua missão.

USS Ascension
USS Ascension

Mas afinal Ascension conseguiu realmente reproduzir o “Efeito BSG” ?

Sim e não. Durante três noites Ascension encantou, frustrou , se antecipou quando não devia, depois se recuperou e finalmente entrou com tudo em um clímax que ao mesmo tempo nos deixou ansiosos para ver como a estória pode continuar e também desesperados porque se esta é a última vez que vemos o mundo de Ascension muitas perguntas ficaram no ar.

Mas vamos explicar um pouco destas reações aos três episódios começando pela interessante idéia de um assassinato em uma nave que é quase como uma grande família, com 600 pessoas, em uma missão de 100 anos para colonizar outro planeta.

A execução destra trama inicial foi muito bem trabalhada e serviu para apresentar uma série de outros mistérios que nos deixaram grudados na tela, esperando cada fala e cada cena tentando descobrir quem são afinal os mocinhos e bandidos.

Mas é difícil estabelecer lados, a não ser na briga política pelo poder dentro da nave, pois esta é uma sociedade totalmente diferente da que temos atualmente, eles não passaram pela revolução tecnológica e cultural dos últimos 50 anos o que é ótimo para uma série deste tipo, já que podemos explorar as reações da tripulação a diferentes situações e conceitos e depois comparar com o que a nossa atual sociedade faria.

Ascension é principalmente sobre a evolução desta sociedade, o que eles irão se tornar nesta jornada, lembrando muito que tínhamos em Battlestar Galactica que também começou a se desenvolver como algo a parte do que existia nas colônias antes do ataque Cylon.

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Tricia Helfer como Viondra Denninger

Outro ponto que queremos destacar é que enquanto muitas séries e filmes, “seguram” seus personagens e situações, o famoso “garoto gosta de garota” mas eles nunca se envolvem, Ascension é direta em suas viradas e situações, não existe enrolação e o ritmo é mantido praticamente durante todos os episódios.

A série ainda tem uma revelação final que simplesmente muda tudo o que pensávamos em relação aos acontecimentos anteriores, inclusive a virada do primeiro episódio, álias é incrivelmente difícil escrever este review sem comentar os principais eventos da série, mas não queremos estragar sua experiência, detalhes demais e vocês irão perder o melhor de Ascension é que viver momento a momento com a sensação de dúvida e incerteza do que está acontecendo na tela.

Mas vou destacar que se Ascension não se tornar uma série, o que ainda não sabemos, talvez só tenhamos notícias a partir de 2015, seu final é terrível do ponto de vista de uma mini-série, mas por outro lado se tivermos uma série a execução deste final foi perfeita, é um “cliffhanger”, sem dúvidas, mas foi tão fora do comum e um salto tão grande em termos de possibilidades futuras que é difícil não gostar.

Para quem já está com esperanças, a boa notícia é que a série conseguiu uma ótima audiência ( 1.8 milhões de pessoas assistiram a estréia ) , ou seja um sucesso total para o canal SyFy, resta esperar que a história se repita e tenhamos nossa nova “Battlestar Galactica”.