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Review Star Wars Tarkin, de James Luceno

James Luceno entra na cronologia de Star Wars com um livro sobre o Grand Moff Tarkin, será que Star Wars: Tarkin faz jus ao vilão?

Tarkin me fisgou com uma linha, onde Darth Sidious faz pouco caso de Darth Vader da mesma forma que ele o fez com Luke em “O Retorno de Jedi”

“Escravidão e o deserto forjaram Skywalker”, Sidious afirma, sorrindo porque o Dark side tem Vader completamente escravizado.

Este livro é basicamente uma estória sobre pessoas sendo forjadas – especificamente, homens ricos e poderosos. O próprio Tarkin é submetido a um primitivo rito de passagem. Temos uma rebelião que é tão jovem que seus membros são conhecidos apenas como “leais a republica” levando o Império a uma perseguição perigosa para ambos os lados.

James Luceno é conhecido pelos seus livros politicamente complexos, com atmosfera rica e pesada e conhecimentos que beiram uma enciclopédia galáctica a exemplo do seu trabalho em Darth Plagueis e Tarkin segue este estilo.

A parte interessante começa quando Tarkin e Vader estão em uma missão ao planeta Murkhana, e a celebrada nave de Tarkin é roubada. Neste ponto Tarkin ainda não é um Grand Moff, uma posição que na verdade ainda não existe, ao invés disto ele é o Moff responsável pela construção da Estrela da Morte.

Ele e Vader estão determinados a destruir os responsáveis pelo roubo, utilizando mais tarde um Star Destroyer para tentar alcançar a nave super avançada de Tarkin, que começa a atacar alvos imperiais e espalhar propaganda contra o império.

Mas estes são rebeldes diferentes que utilizam droids da era separatista em prol da sua causa, o que é uma inteligente conexão com a trilogia prelúdio. Luceno faz outras conexões realistas com as Guerras Clônicas, descrevendo um planeta cujo meio ambiente foi devastado pela guerra.

Já o titular anti herói é apresentado como o herdeiro de uma família rica e sem piedade, e uma pessoa sem dúvidas ou medos ( mas como ele chega a este ponto é bem explicado em flashbacks da sua vida em seu planeta natal Eriadu, alias este é outro dos pontos altos do livro, porque podemos entender a origem da filosofia e táticas utilizadas por Tarkin). Quando ele visita uma cidade no seu planeta de origem ele já esta bem estabelecido como um personagem amoral e privilegiado. “Será que existirá um lado perdedor para homens como eu e você?” pergunta Tarkin, e neste livro a resposta é que não existe.

James Luceno também captura a personalidade e o “jeito de falar” dos personagens principais, é fácil associar o personagem do livro com o que vimos nas telas, não só ele, mas Sidious, Vader e Conde Dooku. O dialogo logo traz a sensação de que “isto é Star Wars”, mas sem ficar forçado como vimos tantas vezes nos filmes. As cenas com Dooku falando com Tarkin são quase tão boas quanto se estivéssemos vendo Peter Cushing e Christopher Lee juntos na tela. Nestas mesmas conversas Luceno aproveita para inserir nomes de locais e eventos que fãs do universo expandido ou das Guerras Clonicas podem reconhecer, solidificando os eventos que entraram ou não na nova cronologia. É uma maneira realmente astuta de mostrar, não contar, como o universo de Star Wars irá se parecer no futuro e Luceno realmente foi a pessoa certa para escrever isto.

Outro ponto que torna Tarkin uma leitura obrigatória é que o livro responde questões fascinantes, como quanto Tarkin e Dooku sabiam sobre os planos de Sidious ( apenas o suficiente para tornar o conhecimento que eles tinham irônico vamos dizer.. ) e porque Sidious sentia que a Estrela da Morte era importante além do seu valor material.

Além disto, vemos o início da relação de Tarkin e Palpatine, como Tarkin se tornou uma das únicas pessoas a chamar o imperador pelo seu primeiro nome, que é revelado no livro depois de anos de especulações, acredito que a jornada de ambos foi apresentada com maestria e seria incrível ver este livro transformado em um filme, a quantidade de informações sobre o imperador e Tarkin é simplesmente incrível e toda a ação parece até sem importância já que você sente a tentação de quase pular as seqüências de perseguição para ler mais detalhes sobre a vida de Tarkin e de Palpatine.

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Tarkin e Anakin

Uma coisa que sempre achei interessante na trilogia original é a forma como Tarkin praticamente controla Vader em certas cenas, mas ali parece existir algo mais, e é isto que também descobrimos no livro, Tarkin suspeita que Vader seja Anakin( com o qual ele já trabalhou antes e passou até a respeitar), mas nunca chega a confrontá-lo sobre esta questão, de qualquer jeito os dois se aproximam e Luceno utiliza uma surpreendente curiosidade de Vader em relação à vida de Tarkin para explicar a filosofia básica deste último, “Controle através do medo”, o que também mostra o porquê de Palpatine confiar tanto em Tarkin, afinal esta é a filosofia por trás da Estrela da Morte.

Em relação aos demais personagens um quase truque que o livro consegue colocar em pratica é fazer com que o leitor se pergunte se os antagonistas de Tarkin são nobres rebeldes ou tão amorais quanto Tarkin. Alias se não fosse pelo Dark Side o império quase faria sentido já que substituiu uma republica corrupta e que praticamente ignorava os planetas distantes do chamado núcleo em Coruscant. O Império trouxe ordem a galáxia, além de sofrimento e total falta de piedade, mas é válido pensar que de certa forma sua atuação foi justificada pela própria republica.

Veredicto: Junte-se ao Império!!!

Peace