O game Ghostbusters é o terceiro filme!

O game Ghostbusters é o terceiro filme!

Ainda não existe Ghostbusters (Caça-Fantasmas) 3 mas talvez a adaptação de 2009 para o mundo dos games possa preencher esta lacuna, Deixe me explicar….

30 anos desde que a comédia geek mais aclamada de todos os tempos foi lançada, o poder e amor pela franquia ainda pode ser visto em um dos rumores mais persistentes da industria do cinema – o desenvolvimento do tão esperado Ghostbusters 3. Apesar do ultimo filme, Ghostbusters 2, ter saído em 1989, 25 anos atrás, existem informações sobre o mítico Ghostbusters 3 desde então.

Felizmente tivemos durante este periodo varias mídias diferentes dentro do universo de Ghostbusters para manter os fans contentes, desde a animação dos anos 90, Extreme Ghostbusters ate as aventuras atuais nos comics da IDW. Ambas as series inspiraram suas próprias sub-continuidades dentro do universo do filme.

Entretanto existe um episódio, por assim dizer, da franquia que foi marcado pelo co-criador Dan Aykroyd como sendo essencialmente o terceiro filme. Estamos falando do game de 2009 criado pela Terminal Reality que foi lançado para coincidir com o 25º aniversario da franquia. Então em honra ao trigésimo aniversario vamos voltar no tempo e analisar este game para conferir se realmente é uma historia digna de fazer parte da trilogia e se estando na categoria de videogame, este pode ser apreciado como um filme.

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A trama do game ocorre em 1991, dois anos depois de Ghostbusters 2 e agora o time que é parte da estrutura oficial da cidade trabalhando para a prefeitura, acaba de contratar um recruta para ajudar a testar um novo equipamento.

Enquanto isto um pico de energia emana de uma nova exposição Gozer no museu da cidade, enviando uma nova onda de aparições por Nova York . À medida que os eventos se desenrolam, os Ghostbusters percebem que o próprio Gozer pode não estar acabado já que o legado de Ivo Shandor esta enraizado profundamente na cidade.

Fiel a intenção de se tornar um filme, o game com uma sequencia de pre-créditos e pós-créditos que realmente parecem uma abertura cinemática. Obviamente muitos games tem uma cena de abertura, então isto pode não ser uma surpresa, mas a direção aqui da à sensação de um filme. A abertura acerta no alvo fazendo você pensar que esta poderia ser vista na tela grande.

Em seguida o gameplay é iniciado, mas a forma como o game foi construído mostra até onde os designers foram para tentar reduzir os elementos comuns dos games para fornecer uma experiência mais cinemática, não que a parte jogável tenha sido removida completamente, ou este não seria um game, mas a aventura foi desenvolvida de forma sutil e contida para passar a sensação dos filmes.

Talvez o exemplo mais claro seja como a informação fornecida ao jogador na tela é incorporada ao design do personagem. Isto é feito dando significado a todas as luzes e displays do próton pack carregado pelo jogador. Desta forma toda a informação esta disponível para o gamer, mas ainda sim para quem gosta de assistir não existe algo para quebrar a imersão e impedir a estória de ser absorvida.

Claro que não podemos dizer que tudo é perfeito nesta tentativa de criar a experiência que teríamos na tela grande. Existem algumas limitações que simplesmente não podem ser superadas – pelo menos na época e até certo grau ainda hoje-, como os gráficos. Estes, ainda que nem sempre perfeitos, não são ruins em qualquer sentido e não existe nada de errado em ter uma animação gerada por computador como um episódio da franquia – o que nos permite ver o time em seu auge no inicio dos anos 90.

Ainda sim a maioria das cenas intercaladas com gameplay são renderizadas com o próprio motor gráfico do game o que talvez faça a aventura perder um pouco do efeito espetacular desejado em muitas destas cenas.

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Estamos detectando algo estranho…

Outra área em que o gameplay ativo precisa abrir mão da experiência puramente passiva de assistir a um filme é nas partes envolvendo batalhas. Gamers ainda precisaram de desafios, conteúdo e interatividade, o que requer que o game tenha uma duração bem maior do que o padrão de um filme. Para quem esta ali apenas para assistir, estas partes que expandem o gameplay nem sempre avançam a trama, então estas podem parecer forçadas. Mas para ser justo o design variado dos inimigos e as capacidades ofensivas diversificadas do seu personagem evitam que as batalhas se tornem repetitivas.

Mas em geral o ritmo é bom, então apesar de parecer curto para um jogador, o game foca em contar a estória de forma eficiente, diálogos espalhados pelas seções envolvendo gameplay ajudam quem esta assistindo a manter a ilusão cinemática, claro que como em qualquer game o dialogo pode se tornar repetitivo, mas existe um contexto e frases especificas que mantém a tradição do bom humor da franquia.

É neste ponto que se revela um dos maiores trunfos do game e reforça sua afirmação de ser o terceiro episódio da franquia – as contribuições vocais e escritas dos próprios Ghostbusters. Aykroyd e o falecido Harold Ramis ajudaram na construção do script e isto dá um genuíno ar de Ghostbusters ao game. Não apenas com o dialogo in-game, mas com todo o resto e a bem trabalhada trama. Esta poderia ser acusada de utilizar elementos do primeiro filme como o famoso Stay-Puft, o homem marshmallow ou o fantasma da biblioteca, mas isto é feito de formas inventivas que constroem uma sequência que vale a pena assistir.

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Desta vez não foi eu ! – Ray-

Na parte da atuação de voz Aykroyd e Ramis são reforçados por Ernie Hudson e Bill Murray completando o time clássico, apesar do fato de que Murray supostamente hesitou antes de se comprometer com o projeto. Annie Potts e William Atherton também voltam como Janine Melnitz e Walter Peck respectivamente. Até o prefeito de  Nova York em Ghostbusters 2, Brian Doyle-Murray tem algumas cenas. Apesar de ser uma pena a ausência de Sigourney Weaver e Rick Moranis, a presença de tantos atores originais, incluindo os principais, cria uma química incrível entre os personagens na tela. O uso destes atores não é apenas algo que torna o game especial, mas também é algo que torna mais fácil a aceitação automática do game como o episodio 3 da franquia.

Dado o nível de talento original colocado no game, foi um golpe de mestre o fato dos designers terem dado ao jogador um personagem dramaticamente mudo. Fazendo isto significa que ambos gamer e fan dos filmes podem assistir as estrelas e o script brilharem. Se o personagem do jogador tivesse uma voz maior isto serviria apenas para quebrar as falas e sequências apresentadas. De forma similar ao permitir que o time original domine o centro da ação você pode aproveitar o desenrolar da estória na sua frente ao invés do jogador fazer algo fora de contexto e estragar a magia do momento.

Por exemplo, se você tivesse jogador como Peter, você teria agido de forma sarcástica e arrogante como o personagem original? (Se fosse possível criar tal interação fora de script entre jogador e personagens). Bem provavelmente não, então é melhor deixar os escritores originais trazerem Venkman de volta a vida com o jogador como um personagem novo.

Mas é claro que é preciso ceder em alguns pontos, tanto do lado gamer quanto de quem apenas esta assistindo, devido à natureza hibrida do game, mas estes pontos são pequenos em relação ao game em geral e a fusão é natural entre as diversas partes da aventura.

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Sim, definitivamente estranho…

Imediatamente depois do seu lançamento em 2009, Ghostbusters:The Video Game, teve reviews positivos em sites gamers especializados e foi premiado pela sua estória e elenco. Cinco anos depois podemos olhar para trás e confirmar que este episódio da franquia funciona bem, não apenas como um game, mas como um filme também.

Mas o que o game prova é que existe vida ainda na franquia e que o pessimismo que tem cercado um novo filme não é justificado (o famoso pessoal do “não mexa com o original” ou pare de sugar a franquia”) . Certamente ficou provado que é possível escrever novas estórias interessantes sobre o time e o envolvimento dos atores e escritores originais pode trazer aquele faísca única da franquia Ghostbusters.

O game é uma adição mais do que bem vida a franquia, digna de ser reconhecida como um filme completo no seu formato único e definitivamente algo que vale a pena assistir. 30 anos depois como diria a musica, Ghostbusters, still , make me feel good …

Ps: Sim agora existe o possível reboot com novos personagens…….preferimos ficar com Ghostbusters: The Video Game por enquanto.

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Redação GeekZilla

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