O 1º erro da parceria entre Netflix e Marvel

O 1º erro da parceria entre Netflix e Marvel

Iron fist, Punho de Ferro, foi lançado na semana passada, sexta-feira (17/03), no canal de streaming mais amado da internet, a Netflix! Quem se deu ao trabalho de procurar a avaliação da série em outros sites, saibam que eles cairam em uma armadilha tradicional, quando nossa mente tenta comparar com os demais produtos da empresa, como Daredevil e Luke Cage.

Quem vos escreve também ficou chateada com a situação da série já no primeiro episódio. O que gerou um post no Twitter um tanto quanto desmerecedor.

Porém, como é legal ficar se torturando com coisinhas ruins, a equipe do GeekZilla decidiu dar continuidade a série. Afinal de contas, não pode ser necessariamente tão ruim assim. E, depois de assistir a seis dos 13 episódios da série, algo meio idiota atingiu minha mente nada compreensível.

Iron Fist talvez não seja tudo aquilo que aguardamos por culpa de alguns fatores como: Daredevil, Luke Cage, Jessica Jones, nós mesmos e, produtores e roteiristas ruins.

Colleen, Danny e Claire.

Destes 13 episódios, esperávamos takes mais revolucionários, carregados de câmera lenta, assim como em Daredevil. Gostaríamos de ver tudo sendo destruido pelo Punho de Ferro como Luke destrói paredes e desafia o boca de algodão. Queríamos, também, aquelas cenas clássicas de Kung-Fu, como Jackie Chan nos acostumou a ter em seus filmes, mesmo os mais sombrios de sua carreira; e também Jet Lee. A década de 70, necessariamente. Mas se avaliarmos melhor, entendemos que o Kung-Fu, ou qualquer arte marcial se vale da disciplina, do respeito e da “evitação de tretas” aleatórias. E é isso o que encontramos em Iron Fist e que nos deixa mega indignados. Pois, falta o fator essencial no qual estamos viciados: ele é mesmo um herói ou apenas um lutador? E também nos causa um pouco de confusão, porque Danny se deixa levar pelos sentimentos. Coisa que o rapaz luta a série inteira para se desfazer.

Aqui, podemos comparar Daredevil e Iron Fist. O herói da cozinha do inferno não é necessariamente um herói. Sua determinação e seus “estudos” eram para um único objetivo, a vingança. E, o Danny Rand tem um destino bem diferente. Seus mestres, como acompanhamos, são pessoas linha dura, como o do Matt Murdok, mas não são tão carniceiros ou trabalham por objetivos próprios, como é o caso do Stick (isto é óbvio e é explicado na criação de Elektra). Iron Fist tem toda uma “gangue”, o Tentáculo para destruir, como também precisa defender os portões de K’un Lun. E o rapaz mal tem noção do quão grande é a extensão do grupo que ele tem de lutar contra. Assim como não tem noção de quem ele é e de suas responsabilidades.

Isto tudo, incrivelmente, mantém-se no padrão de excelencia que a Netflix criou para seus filmes e séries. As musicas de qualidade, sons de fundo e luta limpos, nitidos. Faltou a sensação de estarmos inseridos, de fato, na cidade. Porque as cenas eram todas gravadas com o ar de uma pessoa alucinada por drogas e que não entende muito bem o que está acontecendo ao seu redor. As atuações muito boas em 90% da série, beiravam a loucura, indo de seriedade empresarial a romance confuso. Está tudo ali. E, digamos que as pessoas estão bem erradas ao comparar Danny Rand com Oliver Queen. Já que o Arqueiro é um dramático que não pode se abrir a ninguém por sua missão um tanto quanto questionável herdada de seu pai nada suspeito. E, em Iron Fist, fica claro, tudo muito óbvio e de forma objetiva o que enfrentaremos até o fim da série. Que acaba fazendo a série ser classificada com um famoso ditado: “correndo atrás do próprio rabo”.

Então, o grande diferencial da série está em investir em algo fora do que a própria parceria Netflix-Marvel nos acomodou. Assim que anunciaram a criação da série de Daredevil, bastante se questionou a qualidade da empresa para com o produto não ser semelhante ao filme de mesmo nome, com Ben Affleck. E a série conseguiu ser demais, inquestinável, mesmo tento a mesma fórmula do Iron Fist.

De alguma forma, você nota que é mesmo uma outra estória daquilo que aguardávamos com os dois pés atras. Iron Fist resgata uma linguagem pouco usada atualmente em filmes e séries, que é a questão da fantasia misturada a realidade. Só que no nível mais infantil de nossa mentalidade. Quem não gostaria de ser um ninja? Derrotar grandes inimigos do seu clã para salvar o mundo (New York)? Além de questionar a importância da família no desenvolvimento pessoal de cada figura socialmente. Em níveis diferentes, a série mostra que Danny, Joy e Ward cresceram bem perturbados pelos pais, mesmo que eles não estivessem mais vivos.

Iron Fist é um resgate de momentos cinematográficos que não viamos a anos, por conta da modernidade do cinema. Estamos tão viciados no fator super-heróis, da bem sucedida Marvel que, ficamos indignados com esta série meia boca que tentaram nos fazer engolir em 13 episódios um Kung-Fu mais terrivel ainda.

Esta série, como a equipe do GeekZilla avaliou, poderia ter vindo depois dos Defensores. O que seria muito mais digno para a empresa, que mantém boas avaliações em todos os seus produtos. Imagine: O Danny poderia surgir para enfrentar o Tentáculo no decorrer de os Defensores, assim como vimos na série. Mas sem focar o tempo todo na sua origem, pois, a série ficou tão cansativa e inconclusiva quanto qualquer outro filme da Marvel em suas duas primeiras fases. Seria menos cansativo e insultivo a nossa mente.

Assim, você pode se dar a oportunidade de assistir, tentando compreender que é um retorno ao seu devorador de séries, filmes e livros de 10, 12 anos; e que iremos nos equilibrar o tempo todo em moderno e antigo. Moderno em tudo, o antigo, com o resgate das artes marciais num período que está marcado por magia, deuses e super poderes  e tudo de forma bem infantil.

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Joêni Kehl

Joêni Kehl

Jornalista, tradutora, amante de tudo que é geek e sempre salvando os reviews do GeekZilla. Realiza serviço voluntário todos os fins de semana. Ama fotografias, livros de todos os gêneros, filmes e séries. É semelhante a um hobbit.

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